9/24/2008

Quando Sinto Vergonha do Movimento Evangélico?

Postado por Luís Filipe de Azevedo


Sinto vergonha do movimento evangélico...

Quando fico sabendo que segundo pesquisas recentes, as três classes pessoas mais desacreditadas hoje no mundo são os políticos, a polícia e os pastores.

Quando a mensagem dos evangélicos oferece uma falsa esperança aos pecadores. Promete-lhes vida eterna apesar de não terem tido um encontro genuíno com o Senhor Jesus em suas vidas.

Quando ouço e vejo na mídia a cada dia surgir um novo escândalo envolvendo evangélicos que tem feito enormes picaretagens em nome de Deus; donos de igrejas que de uma forma medonha tem feito do Templo Senhor um covil de salteadores.

Quando ouço e vejo que há fortes indícios de que organizações que se dizem evangélicas estejam envolvidas com o tráfico internacional de drogas, evasão fiscal com empresas de fachada, lavagem de dinheiro e, recentemente, com suborno de políticos.

Quando vejo instituições evangélicas ensinando o povo a amar justamente aquilo que Jesus proibiu: o dinheiro, a ganância, a riqueza e a glória humana. Evangelistas que trocaram a mensagem do Evangelho por testemunhos de como conseguiram vencer na vida financeira, como se o Evangelho fosse isso.

Quando vejo na televisão o anúncio do Culto para arrumar um bom partido para o casamento, ou Culto dos empresários onde só podem ir homens de poder ou que querem alcançar o sucesso empresarial.

Quando percebo que o Evangelho se transformou num negócio e abrir uma igreja hoje é solução que muitos encontram de resolver seus problemas financeiros. São “pequenas igrejas e grandes negócios”. Nesses lugares as pessoas se convertem em consumidores de uma igreja que mais parece num balcão de serviços religiosos.

Quando entendo que o movimento evangélico nacional se apequenou e não consegue vencer a tentação de lucrar como empresa.

Quando leio nas páginas dos jornais e revistas notas de escândalos de líderes evangélicos renomados presos por usarem uma instituição que deveria ser sem fins lucrativos como meio de sustentar sua riqueza sem ter que pagar impostos. Uma lista de bens acumuladas que somam quase 20 milhões de reais. Entre eles, quatro apartamentos, um haras com 259 cavalos de raça, fazendo, sítio e uma casa em Boca Raton, na Flórida (EUA). Isso é vergonhoso para a classe pastoral.

Quando vejo que a maioria dos formadores de opinião dentro do movimento evangélico, principalmente os que usam da mídia, fora dos palcos e dos púlpitos, são protagonistas de histórias horrorosas, fatos inenarráveis e atitudes execráveis.

Quando percebo que, em muitos lugares, os cultos passaram a ter vários tipos de divertimentos, muita música, bem pouca pregação, mas tudo num clima agradável e descontraído. Na verdade, estamos sofrendo de uma patologia chamada “hedonismo” que é a síndrome da busca pelo prazer a todo custo. O cristianismo popular tenta fazer a vontade do homem e não vontade de Deus.

Quando me dou conta de que vivemos numa época em que as pessoas buscam no cristianismo entretenimento. Essa tendência tem feito igrejas abrir mão de prioridades bíblicas e teológicas em detrimento de público.

Quando percebo que em alguns lugares os púlpitos já não existem mais, o que se vê são palcos com canhões de iluminação de teatro e discotecas. Os líderes espirituais estão se extinguindo, o que se vê muito hoje é especialista em comunicação de massa, consultor de programação, diretor de palco, perito em efeitos especiais, coreógrafo e administrador, pastor, bem pouco.

Quando ouço que “o que importa é dar aos auditórios o que eles desejam”, ou, “se quisermos atrair outras pessoas temos de moldar o culto de acordo com os anseios dos freqüentadores do culto”.

Quando vejo que muitos líderes se parecem mais com políticos que tentam ganhar eleitores, do que com pastores que se preocupam em conduzir o rebanho que Deus lhes confiou. E para isso transformam o cristianismo na “religião do prazer” que tem como proposta principal o “sinta-se bem!”. E para atender a procura do mercado, de seus “consumidores”, algumas igrejas evangélicas estão usando todo e qualquer tipo de marketing estratégico e algumas fazem até promoções.

Quando leio algumas propagandas de igreja evangélicas que dizem assim:

“Venha conhecer nossa igreja, pois aqui os cultos são informais, temos mensagens práticas e divertidas e não pressionamos as pessoas; sem falar que os ouvintes não são considerados pecadores, pois queremos que se sintam bem-vindos”

“Aqui os sermões são positivos e otimistas e, o melhor de tudo, bem curtos. A pregação aqui nem se parece com pregação, é mais um bate-papo descontraído, sofisticado, educado e amigável”.

Quando percebo que a superstição tomou o lugar da fé, que o transcendente deu lugar ao esotérico e que a espiritualidade confunde-se hoje com o ocultismo. Entramos na esfera do sobrenatural, mas não necessariamente na presença de Deus.

Quando me dou conta que a pregação evangélica se subordina a uma visão da existência cristã, na qual sobressaem a realização financeira e o desfrute do sucesso individual. Nessa visão, a salvação ganha novo sentido. O Evangelho dá lugar a uma pregação de uma suposta salvação, cura e prosperidade financeira. A salvação está estreitamente relacionada à felicidade que o indivíduo pode conquistar aqui, no plano terreno e está associado às conquistas materiais.

Quando ouço que a verdadeira expressão da fé vem por meio de ofertas de sacrifício. Doando mais do que poderiam, as pessoas “desafiam” Deus a cumprir os seus desejos. Estabelece-se desse modo uma relação anômala, na qual o Criador torna-se refém da criatura. Essa inversão de prerrogativas (o homem dando “ordens” a Deus, exigindo que Sua bondade se manifeste por meio da resposta a uma súplica feita com sacrifício) fica como que escamoteada na oração do fiel que diz: “Sou Teu filho, Senhor, ouve minha oração. Já fiz o meu sacrifício, agora dá o que Te peço”.

Quando me dou conta de que as Boas Novas, o Evangelho pregado por Jesus, tem dado lugar à pregação de uma fé fácil e sem exigências. A graça de Deus está em promoção, pois se alardeia apenas os benefícios da fé, sem convocar ninguém a rever valores do caráter e da ética.

Quando percebo que o a mensagem evangélica está longe de ser o Evangelho de Jesus e dos apóstolos. É outro evangelho! Precisamos exercer o discernimento! Devemos nos manter fiéis ao leito do genuíno Evangelho de Jesus, à Doutrina dos Apóstolos e não deixar jamais de anunciar a mensagem do Calvário.
Quando vejo líderes evangélicos que se vendem para políticos a troco de vagas nas prefeituras. Homens que se dizem colunas da ética e da moral, fazendo trambiques e vendendo votos dos fiéis, para se beneficiarem financeiramente.

Sinto vergonha... Da Verdadeira Igreja? Não! De Cristo? Evidentemente que não! Sinto vergonha do movimento evangélico que destoa do verdadeiro Evangelho. Não desejo me sentir parte desse movimento sem credibilidade.
Socorro Senhor! Salvai-me!

3 comentários :

Jorge Eduardo disse...

Meu querido irmão, como vai?
Eu compartilho de sua indignação. Ainda mais porque, não olho como quem está do lado de fora. Olho como alguém, que embora não concorde ou compartilhe de tais práticas, está inserido no contexto. Porque quando nos vemos dentro do olho do furacão, escapamos da atitude triunfalista de negar nossas responsabilidades e só criticar os "hereges". Penso que o caminho da restauração - além de muita oração por misericórdia - seja alargar as tendas para o debate interdenominacional sobre os rumos que a igreja tem tomado. Sem apresentarmos formúlas, definirmos credos... até mesmo porque as mudanças precisam ser geradas de dentro para fora. Pois todos somos responsáveis.

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Elaine Castro disse...

Que realidade triste.
Que crise estamos passando... e ainda temos aqueles que semeiam a idéia de que a igreja de Cristo está em seu melhor momento...
momento de crise, de identidade, podemos assim dizer.
Parabéns pastor...
muito bom. (e triste tbm)

passe no meu blog, ficarei feliz com sua visita! =D